quinta-feira, 8 de abril de 2010

Videorreportagem no Jornal Nacional

Primeiro programa em rede nacional gerado no Rio de Janeiro, em 01 de setembro de 1969, o Jornal Nacional (JN) tornou-se o mais importante noticiário televisivo do país.
Nestes mais de 40 anos de história, muitos registros foram feitos sobre a realidade do Brasil e do mundo.

Mas, apesar do indiscutível profissionalismo e competência com que o Jornalismo da emissora possa ser produzido, sempre se falou num formato padrão engessado, tipo off-sonora-passagem, quase que inviolável por novas linguagens.

Até acho que, mais recentemente, houve certa abertura para novas formas de se contar uma história. Mas em geral sempre prevaleceu o formato produzido por uma equipe de jornaslimo (ou ENG) onde trabalham, pelo menos, um repórter e um cinegrafista. Poucas foram as experiências em que o olho do repórter também contava a história.

Por isso, quero aproveitar este espaço para chamar a atenção e comemorar a recente exibição de uma excelente videorreportagem, veiculada esta semana pela TV Globo a maior emissora brasileira, com alcance em todo o território nacional. Vamos logo ao episódio...


Na manhã da última terça-feira, dia 6 de abril, com o Rio de Janeiro paralizado por conta da maior chuva já registrada na história da cidade, o jornalista Márcio Gomes, teve que ir à pé para o trabalho. Ele é âncora do RJTV 2edição, mas o país inteiro o conhece pela bancada do JN.

Devido aos alagamentos, a cidade estava toda parada. E, com uma câmera amadora, muito oportunamente Márcio registrou o tumulto vivido pelos cariocas perdidos no meio do dilúvio.


 
Inédito?
Não foi exatamente a primeira experiência de videojornalismo veiculada pelo JN. Os repórteres Marcos Losekann, Ilze Scamparini e Caco Barcellos estão entre os  que já se aventuraram a operar uma câmera para produzir as próprias imagens. Mas o que chama a atenção neste registro agora é o fato de Márcio Gomes ser a pessoa certa no lugar certo, sabendo lidar com o flagrante de forma inesperada para contar uma história. E com isso, ele ajudou a quebrar algumas barreiras pelo reconhecimento de uma nova forma de contar histórias na televisão.

Apesar de não creditar o termo videorreportagem na matéria, fica evidente a marca do formato na matéria. Além da narrativa subjetiva, na primeira pessoa, percebe-se bem que o repórter que aparece no vídeo está com a câmera na mão, em especial na hora da passagem, quando ele aparece no vídeo.

Em outros tempos, devido ao rigoroso controle global de qualidade e à possível falta de objetividade e isenção jornalística, com o repórter se envolvendo diretamente na realização da matéria, é difícil imaginar se ela seria veiculada... (Pensando bem, se existisse a tecnologia digital e a mobilidade de nossos dias, quem não aceitaria?)

Imagens às vezes tremidas, repórter sem terno usando boné, áudio ruim com necessidade de legenda. Nada disso tirou o mérito da reportagem.

Mais do que formatos e linguagens que possamos discutir aqui, ganhou o telespectador com uma maneira diferente de assistir uma notícia do repórter.

As diferenças...
Foram duas veiculações, não exatamente iguais. A primeira exibida no RJTV 2edição finaliza com imagens das enchentes, feitos por anônimos com celulares ou máquinas digitais. A segunda traz mais alguns flagrantes da população em meio ao caos registrados pelo Márcio Gomes.

E é aí que eu acho que dá para justificar a legitimidade de um videojornalista!
Dá pra notar bem a diferença que fazuma câmera na mão de quem sabe produzir uma história, mostrando bem a importância que um jornalista bem preparado pode ter com uma câmera na mão, se comparado a um cidadão que contribui com material colaborativo para um telejornal. O videorrepórter conta uma história; o popular registra fragmentos.

E sinceramente, em relação aos outras notícias, acho que existe certa identidade do telespectador ao assistir uma matéria como a do Márcio Gomes. É menos objetiva e mais humanizada.

Como diz Márcio ao apresentar sua videorreportagem no RJTV:

"Peço licença aqui para contar uma experiência pessoal...eu também fui registrando com uma câmera simples o que eu ia vendo na cidade."

A licença, Márcio, já esta concedida!


Veja a matéria do JN:



- Link para a matéria do RJTV 2edição. Clique aqui.

P.S.: Em tempo, antes que você vá para a página indicada acima: o redator escreveu "o repórter filmou o caminho"... O correto é gravou, registrou. Filmar só se usa com captação feita em película de filme e não em vídeo, ok?

5 comentários:

Karina Araújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Karina Araújo disse...

Querido!!!!!! adorei seu post do Márcio Gomes, já tinha ouvido os comentários, mas no dia não consegui ver o JN... vou tentar o colocar a nossa VR no youtube e te aviso. Devo defender em maio, te aviso, chêeeerooo

Mariana Soares disse...

Mto legal a análise...também não vi o JN no dia. Vc sempre ligado em tudo.
:*

Taís Vilela disse...

Excelente post! Mereceu mesmo ter destaque. Assisti a matéria no jornal e gostei muito de terem liberado para ir ao ar. Confesso que fiquei surpresa com a atitude do Márcio Gomes porque ele sempre me passou uma imagem de pouca ousadia. Felizmente eu estava errada e inclusive passei a admira-lo como repórter! Um abraço,
Taís

Gui Missumi disse...

Viva os japoneses que não param de inventar câmeras!! hahaha... Me surpreendi porque só quem é videorrepórter sabe a discriminação que é quando inovamos!
Valeu! Parabéns a todos!
TE VEJO PELO MUNDO!!
GUI

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