segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Videorrepórter, 11 anos atrás, direto do túnel do tempo...

Neste final de semana, estava fazendo uma busca desprentenciosa no Google e achei, meio sem querer, um documento interessante da história da videorreportagem no Brasil: trata-se de um recorte de jornal escaneado, que traz uma matéria do caderno Telejornal, do jornal  O Estado de S. Paulo, que trazia o tema videorreportagem em suas páginas.

Uma conhecidência incrível foi notar que pela data, 14 de novembro de 1999, fazem exatamente 11 anos que a matéria saiu... Me veio direto aquela voz da Ciça Guimarães na vinheta do Vídeo-Show: "Direto do túnel do tempo..."


O lado histórico
Não existia internet direito, os brasileiros começavam a descobrir a rede mundial de computadores e suas possibilidades. Era algo bem diferente do que é hoje: a conexão era feita pelo telefone, com banda lerda, através de linha discada. As pessoas entravam lá para ver emails e participar de salas de bate-papo...

Já se sabia que dava para fazer vídeos para a internet. Mas a coisa não funcionava, tudo era muito lento... A televisão e  vídeo ainda éramos coisas pouco convergentes com as novas mídias, como vemos hoje.

A tecnologia que despontava eram as câmeras que gravavam em formato mini-DV, uma revolução que começava a chegar por aqui e tornava o sonho possível! Qualidade digital de áudio e imagem com preços bem abaixo do que o que se pagava para equipamentos broadcasting, mais mobilidade pelos tamanhos reduzidos, inclusive por conta do LCD, que libertava o olho do view finder, aquela caixinha onde os cinegrafistas colocam o olho para ver as imagens na hora de gravar.

Um dos mais empolgados com essas possibilidades e que também foi fonte para a matéria do Estadão era o diretor de jornalismo da TV Cultura, Marco Antonio Coelho Filho. Ele havia sido responsável, junto da direção do TV Mix, da TV Gazeta, pela primeira experiência de jornalista com câmera de vídeo e criou a primeira geração dos repórteres-abelha no Brasil. Depois na TV Cultura, ele tentava dar maiores dimensões ao projeto videorrepórter. Foi aí que eu entrei...

Já havia também o questionamento sobre o acúmulo de funções por parte do sindicato dos jornalistas - o que até dava para entender... Mas os caras dormiram no tempo e espero que eles acordem para esta nova realidade de hoje...

O recorte foi tirado do blog Ionosfera da Mídia, de Micael Silva, de Americana, cidade do interior de S. Paulo.


O lado pessoal
Naquela época, 1999, eu já era um interessado em videorreportagem, queria fazer parte daquele time da TV Cultura. Formado em jornalismo em 1998, pela FIAM, no ano anterior havia conseguido o meu primeiro trabalho numa redação, na revista Imprensa.

Também trabalhava como cinegrafista dos alunos do curso de jornalismo, o que me garantia certa prática com o equipamento, além de uma bolsa de estudos importantíssima para que eu concluísse o curso de jornalismo.

Era cinegrafista de manhã, ia para a revista de tarde e voltava para a faculdade de noite para assistir às aulas da faculdade. Foi puxado, é verdade! Mas valeu a pena.

Para escrever a matéria, pude sair junto tanto com os VRs da TV Cultura - Aldo Quiroga e Marcelo Novaes - quanto com a experiente Renata Falzoni, da ESPN e do Canal 21. Vi como eles trabalhavam para reproduzir melhor o dia-a-dia deles na matéria.

Naqueles dias, tive a certeza que era exatamente aquilo que eles faziam o que eu queria fazer: dominar uma câmera na mão para contar minhas próprias histórias, com meu olhar, sem depender do olho de outras pessoas! Afinal eu também gostava de produzir imagens como cinegrafista dos alunos da faculdade e tinha a intenção de me formar em Jornalismo; era unir o útil ao agradável!

Um ano depois muita coisa aconteceu: deixei um trabalho de revisor e redator publicitário, arrumado em meio  ao desespero, depois de ficar desempregado oito meses! Queria muito voltar a trabalhar com jornalismo, de preferência alimentando aquele sonho de contar as histórias com uma câmera na mão. Cheguei a fazer um teste no projeto SP Digital, do Canal 21, por indicação da prórpia Renata Falzoni. Mas não rolou porque euestava tirando a carta de motorista, exigida para imediata contratação...

Apesar da decepção momentânea, mantive o ânimo. Em novembro de 2000, tive a minha primeira chance oficial pela TV Cultura, onde já tinha até feito uns testes. Surgiu uma vaga descompromissada para cobrir as férias da então VR Patrícia Xavier.

Não havia sequer perspectiva de pagamento... Como eu enchia o saco da chefia de reportagem para me darem uma chance, acabaram me ligando para ficar praticando no lugar da Patrícia. Não haviam (como ainda não existem) muita mão-de-obra qualificada disponível...

Foi minha sorte! O entusiasmo e vontade eram tão grandes que implaquei uma matéria por dia no Telejornal Diário Paulista. Falaram que iam me pagar para substituí-la no mês de férias. Pra resumir a história, eles gostaram: acabei ficando como freela por três meses, até ser contratado em definitivo como videorrepórter da emissora educativa de S. Paulo onde fiquei até fevereiro de 2009.

Nada mal para quem tinha ido cobrir um mês de férias, sem perspectiva sequer de receber algo por isso...

3 comentários:

Micael disse...

Uma bela história para servir de exemplo. Convivo diáriamente com muitos jornalistas que não não sabem nada pela técnica de captação de imagens e nem sequer se interessam em saber. Sempre acreditei que unir as duas pontas deste trabalho, o editorial e o técnico, é fundamental para contar bem uma história.

Paulo Castilho - Videojornalista Brasileiro disse...

micael, obrigado pelo seu comentário! Continue visitando o meu blog e ajude a divulgá-lo.

Com seu discurso, fiquei curioso para saber se você também já se aventurou a produzir histórias com uma câmera própria ( ou emprestada, alugada, pode ser também...)

Fico feliz que você acredite o formato do videojornalismo.

Um abraço!
PC

Micael disse...

Já algumas várias produções com equipamentos emprestados quando mais novo, na época tudo VHS caseiro mesmo. Inclusive sátiras do Big Brother com o pessoal da escola. Mas na TV mesmo nunca cheguei a "brincar" com tanta liberdade fora os vídeos de festa de final de ano.

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