A dica é aproveitar o fim de semana para curtir os filmes do Festival Internacional de Documentários, "Tudo É Verdade", que chega este ano em sua décima-quinta edição, sob curadoria do crítico Amir Labaki
Até o próximo domingo, dia 18, 6 cinemas paulistas e outros 6 cariocas vão exibir 71 documentários de 27 países, no maior evento do gênero no Brasil.
Neste sábado, fui ao Reserva Cultural, na Av. Paulista, e consegui conferir dois filmes muito bons.
O primeiro foi "O Homem Mais Perigoso do Mundo", de de Rich Goldsmith e Judith Elrlich. O filme conta a história de Daniel Ellsberg, um ex-funcionário do Pentágono, que revela documentos secretos, que desmentem cinco presidentes norte-americanos sobre as verdadeiras intenções deles na manutenção da guerra do Vietnã.
Foi a última exibição em São Paulo,. Os cariocas que puderem assistir, não percam!
Veja as datas:
CCBB RJ (RIO DE JANEIRO - RJ): 16/04, sexta-feira - 13H30 e 18/04, domingo - 16H
Abaixo o trailer, em inglês.
No outro filme que vi, "A Cidade dos Mortos", o diretor Sergio Trefaut registra o cotidiano dos habitantes que vivem numa verdadeira cidade erguida dentro de um cemitério no Cairo, capital do Egito. É bem interessante!
Infelizmente não achei o trailer pra mostrar aqui. Mas ainda haverá exibições aqui e no Rio.
Veja onde vai passar nos próximos dias.
CINEMATECA (SÃO PAULO - SP): 14/04, quarta-feira - 20H
IMS (RIO DE JANEIRO - RJ):
11/04, hoje, domingo - 20H
Videojornalismo no "Tudo é Verdade"
E para não falarem que não disse nada aqui sobre videorreportagem, deixo aqui a sugestão imperdível do filme "Burma VJ", em português: "VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado" vencedor do É Tudo Verdade do ano passado e que concorreu no Oscar deste ano. (Veja nas fotos a câmera pequena à mão, fazendo seus registros...)
Uma produção dinamarquesa, "VJs de Mianmar" (Burma VJ), de Anders Ostergaard, reúne os flagrantes dos videojornalistas da Birmânia, que denuncia os abusos da ditadura a civis, monges budistas e à liberdade de imprensa no país.
Um filme necessário, especialmente pra quem gosta do estilo Jornalista + Câmera. Vale ressaltar que lá, se vc for pego com uma câmera fazendo imagem sem autorização corre o risco de ir para a cadeia e até morrer... E isso torna ainda mais importante o documentário, que já ganhou vários prêmios.
Confira a agenda para S. Paulo:
ESPAÇO UNIBANCO DE CINEMA (SÃO PAULO - SP): 13/04, terça-feira - 19H
Veja o trailer abaixo:
- A entrada para todos os filmes do "Tudo é Verdade" é franca! - Os ingressos são distribuídos uma hora antes das sessões. - Convém chegar com antecedência para garantir a entrada.
Para mais informações e acesso à programação completa, visite o site oficial: www.etudoverdade.com.br
Primeiro programa em rede nacional gerado no Rio de Janeiro, em 01 de setembro de 1969, o Jornal Nacional (JN) tornou-se o mais importante noticiário televisivo do país.
Nestes mais de 40 anos de história, muitos registros foram feitos sobre a realidade do Brasil e do mundo.
Mas, apesar do indiscutível profissionalismo e competência com que o Jornalismo da emissora possa ser produzido, sempre se falou num formato padrão engessado, tipo off-sonora-passagem, quase que inviolável por novas linguagens.
Até acho que, mais recentemente, houve certa abertura para novas formas de se contar uma história. Mas em geral sempre prevaleceu o formato produzido por uma equipe de jornaslimo (ou ENG) onde trabalham, pelo menos, um repórter e um cinegrafista. Poucas foram as experiências em que o olho do repórter também contava a história.
Por isso, quero aproveitar este espaço para chamar a atenção e comemorar a recente exibição de uma excelente videorreportagem, veiculada esta semana pela TV Globo a maior emissora brasileira, com alcance em todo o território nacional. Vamos logo ao episódio...
Na manhã da última terça-feira, dia 6 de abril, com o Rio de Janeiro paralizado por conta da maior chuva já registrada na história da cidade, o jornalista Márcio Gomes, teve que ir à pé para o trabalho. Ele é âncora do RJTV 2edição, mas o país inteiro o conhece pela bancada do JN.
Devido aos alagamentos, a cidade estava toda parada. E, com uma câmera amadora, muito oportunamente Márcio registrou o tumulto vivido pelos cariocas perdidos no meio do dilúvio.
Inédito?
Não foi exatamente a primeira experiência de videojornalismo veiculada pelo JN. Os repórteres Marcos Losekann, Ilze Scamparini e Caco Barcellos estão entre os que já se aventuraram a operar uma câmera para produzir as próprias imagens. Mas o que chama a atenção neste registro agora é o fato de Márcio Gomes ser a pessoa certa no lugar certo, sabendo lidar com o flagrante de forma inesperada para contar uma história. E com isso, ele ajudou a quebrar algumas barreiras pelo reconhecimento de uma nova forma de contar histórias na televisão.
Apesar de não creditar o termo videorreportagem na matéria, fica evidente a marca do formato na matéria. Além da narrativa subjetiva, na primeira pessoa, percebe-se bem que o repórter que aparece no vídeo está com a câmera na mão, em especial na hora da passagem, quando ele aparece no vídeo.
Em outros tempos, devido ao rigoroso controle global de qualidade e à possível falta de objetividade e isenção jornalística, com o repórter se envolvendo diretamente na realização da matéria, é difícil imaginar se ela seria veiculada... (Pensando bem, se existisse a tecnologia digital e a mobilidade de nossos dias, quem não aceitaria?)
Imagens às vezes tremidas, repórter sem terno usando boné, áudio ruim com necessidade de legenda. Nada disso tirou o mérito da reportagem.
Mais do que formatos e linguagens que possamos discutir aqui, ganhou o telespectador com uma maneira diferente de assistir uma notícia do repórter.
As diferenças...
Foram duas veiculações, não exatamente iguais. A primeira exibida no RJTV 2edição finaliza com imagens das enchentes, feitos por anônimos com celulares ou máquinas digitais. A segunda traz mais alguns flagrantes da população em meio ao caos registrados pelo Márcio Gomes.
E é aí que eu acho que dá para justificar a legitimidade de um videojornalista!
Dá pra notar bem a diferença que fazuma câmera na mão de quem sabe produzir uma história, mostrando bem a importância que um jornalista bem preparado pode ter com uma câmera na mão, se comparado a um cidadão que contribui com material colaborativo para um telejornal. O videorrepórter conta uma história; o popular registra fragmentos.
E sinceramente, em relação aos outras notícias, acho que existe certa identidade do telespectador ao assistir uma matéria como a do Márcio Gomes. É menos objetiva e mais humanizada.
Como diz Márcio ao apresentar sua videorreportagem no RJTV:
"Peço licença aqui para contar uma experiência pessoal...eu também fui registrando com uma câmera simples o que eu ia vendo na cidade."
A licença, Márcio, já esta concedida!
Veja a matéria do JN:
- Link para a matéria do RJTV 2edição. Clique aqui.
P.S.: Em tempo, antes que você vá para a página indicada acima: o redator escreveu "o repórter filmou o caminho"... O correto é gravou, registrou. Filmar só se usa com captação feita em película de filme e não em vídeo, ok?